Na tirinha acima, a personagem do argentino Quino, Mafalda contracena com a sua mãe. Mafalda está brincando, dizendo ir "rumo ao infinito". A mãe dela com tom de voz enérgico lhe diz que sua "paciência tem limite" ao que Mafalda lhe responde: "o infinito também". Há uma intertextualidade clara nessa HQ com a matemática que causa o humor, já que o tema abordado é o infinito, muito estudado em vários campos, mas principalmente nas ciências, na matemática. Há teóricos que afirmaram e afirmam que o infinito não tem fim, não tem limite, enquanto há outros que acreditaram e provaram em seus teoremas que o infinito tem fim, como é o caso de Isaac Newton, que estudou o infinito e a noção de limite, estudada nas disciplinas de Cálculo, da Física, da Matemática etc. Se há ou não limite no infinito não se sabe ao certo, mas que a intertextualidade nessa tirinha existe, isso é muito certo.
Blog para apresentação e exemplificação de conceitos de intertextualidade aplicada à literatura, cinema, música, imagens, HQs, entre outros. Organizado por Emerson Damião de Souza Abreu, aluno do curso de Bacharelado em Informática (IFG), Michele Souza, graduada em Letras (UFG) e aluna do curso de Bacharelado em Informática (IFG) e Regina Fernandes, aluna do curso de Bacharelado em Informática (IFG).
quinta-feira, 11 de abril de 2013
"Pra que mentir?" e "Dom de iludir": uma voz que responde a outra
"Toda enunciação, mesmo na forma imobilizada da escrita, é uma resposta a alguma coisa e é construída como tal" (BAKHTIN, Mikhail/ VOLOCHINOV. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997).
Tendo em vista a frase citada acima do teórico russo Bakhtin verifica-que que toda palavra escrita é uma resposta direcionada a algo, a uma situação ou pessoa específicas. Para exemplificar tal afirmação, usaremos as músicas "Pra que mentir?", de Vadico e Noel Rosa e "Dom de iludir", de Caetano Veloso.
A música "Pra que mentir?" foi escrita por Noel Rosa, de parceria com Vadico, enquanto Noel Rosa passava por uma relação amorosa com Ceci, que marcou muito a sua vida. Ceci, por sua vez, mantinha um relacionamento com ele e com Mário Lago ao mesmo tempo, o que fazia com que Noel Rosa lhe dissesse que ela ainda não havia aprendido a mentir.
Então, Caetano Veloso escreve a música "Dom de iludir" como resposta a música de Noel Rosa. Enquanto esse último coloca em sua letra uma voz masculina que chama a mulher de mentirosa e traidora, Caetano Veloso, coloca em sua letra uma voz feminina que acusa o homem de mentir também de forma dissimulada, fingindo ser verdade o que é na realidade mentira, apenas para iludí-la. Ou seja, no jogo do amor tanto homem como mulher acabam dissimulando e mentindo.
Enfim, a intertextualidade nessas duas músicas acontece implicitamente quando uma responde a outra em seu conteúdo, como afirma a frase inicial de Bakhtin.
Intertextualidade em "Língua", de Caetano Veloso
A música "Língua" (1984), de Caetano Veloso, apresenta marcas da intertextualidade explicitamente e implicitamente. São citados na letra autores como os poetas portugueses Fernando Pessoa e Luís Vaz de Camões, que já é citado na primeira frase da música, o escritor brasileiro Guimarães Rosa, o poeta Olavo Bilac, Chico Buarque de Holanda, Carmem Miranda etc. Na primeira estrofe, há uma frase entre aspas: "Minha pátria é minha língua". Essa frase se encontra no livro de poemas de Fernando Pessoa, intitulado Mensagem. Assim, verificamos que a canção de Veloso é um arranjo de vozes de vários escritores e poetas de diferentes épocas e características, mas que contribuem para a criação de "Língua", já que ambos os autores citados trabalharam de alguma forma a história, as raízes de formação da nossa língua materna, o português.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Intertextualidade na música "Monte Castelo" (Legião Urbana)
O vídeo acima da banda brasileira Legião Urbana é um exemplo clássico de intertextualidade. A música "Monte Castelo", faz inferência inicialmente aos versículos bíblicos 1 e 4, encontrados no livro de Coríntios, no capítulo 13. São eles: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine" (versículo 1) e "O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece" (versículo 4).
E na segunda parte ao soneto 11 do poeta português Luis Vaz de Camões, soneto que é citado integralmente na música. Desse modo, verifica-se que há o entrecruzamento de duas vozes na letra da banda, a da tradição judaico-cristã e da literatura renascentista do século XVI. O grupo musical então, fez uma recriação artística na composição de sua música por meio da intertextualidade.
Soneto 11
"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um querer mais que bem querer,
é solitário andar por entre a gente,
é nunca cotentar-se de contente,
é cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade,
servir a quem vence, o vencedor,
é ter com quem nos mata, lealdade,
mas como pode causar em seu favor,
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo amor?"
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Vozes textuais: como aparecem?
A intertextualidade em um texto, poema, música, quadrinho ou filme pode ser verificada por meio de "vozes" implícitas ou explícitas. As vozes explícitas são aquelas mostradas no texto, aquelas que são citadas nitidamente, podendo ou não referenciar o autor original da obra, enquanto que as vozes implícitas não são demarcadas com precisão. Enfim, essas vozes são marcas da intertextualidade e estão a serviço de quem quiser utilizá-las na construção de seu texto, poema, música ou filme. Aqui, nesse blog priorizaremos as vozes explícitas, demarcadas e mostradas. No trecho abaixo, podemos perceber que o autor, Rubem Alves, citou Mário de Andrade explicitamente, colocando entre aspas a frase do poeta paulista.
Exemplo de voz demarcada em um texto:
“[...] Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.” (Rubem Alves)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
FIORIN, L. et PLATÃO. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2001.
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