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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Vozes textuais: como aparecem?

       A intertextualidade em um texto, poema, música, quadrinho ou filme pode ser verificada por meio de "vozes" implícitas ou explícitas. As vozes explícitas são aquelas mostradas no texto, aquelas que são citadas nitidamente, podendo ou não referenciar o autor original da obra, enquanto que as vozes implícitas não são demarcadas com precisão. Enfim, essas vozes são marcas da intertextualidade e estão a serviço de quem quiser utilizá-las na construção de seu texto, poema, música ou filme. Aqui, nesse blog priorizaremos as vozes explícitas, demarcadas e mostradas. No trecho abaixo, podemos perceber que o autor, Rubem Alves, citou Mário de Andrade explicitamente, colocando entre aspas a frase do poeta paulista.

Exemplo de voz demarcada em um texto:


“[...] Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.” (Rubem Alves)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

FIORIN, L. et PLATÃO.  Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2001.
   




O que é intertextualidade?



        O termo "intertextualidade" foi utilizado por Júlia Kristeva, em 1969, para tratar do termo "dialogismo", cunhado pelo teórico russo Mikhail Bakhtin, na década de 20. De acordo com Bakhtin (1992), os textos entrecruzam vozes de outros textos, frases, pensamentos, palavras, citações de outros autores, marcando assim, a polifonia do discurso. Dessa forma, não há nenhum texto que não se ancore em outro texto e nem que não guarde em si nenhuma voz dita ou escrita em um determinado tempo-espaço. Esse blog pretende, então, trazer conceitos, explicações e exemplos de intertextualidade na literatura, música, cinema, HQs, entre outros.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.


“Tudo se reduz ao diálogo, à contraposição enquanto centro. Tudo é meio, o diálogo é o fim. Uma só voz nada termina, nada resolve. Duas vozes são o mínimo de vida” (Mikhail Bakhtin).